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Essa data tamb&eacute;m &eacute; um momento de chamar a sociedade para repensar a rela&ccedil;&atilde;o com os povos ind&iacute;genas, reconhecendo o protagonismo deles na defesa da biodiversidade e da democracia", frisa Altaci, professora do departamento de Letras da UnB e coordenadora de promo&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas lingu&iacute;sticas do Minist&eacute;rio dos Povos Ind&iacute;genas.</p> <p class="texto">Tataiya Kokama&nbsp;&mdash; nome ind&iacute;gena de Altaci&nbsp;&mdash; frisa que os povos ind&iacute;genas vem conquistando espa&ccedil;os a cada ano por meio de muita luta. Um dos avan&ccedil;os citados pela professora &eacute; a aprova&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;tica Nacional de Gest&atilde;o Territorial e Ambiental de Terras Ind&iacute;genas (PNGATI).</p> <p class="texto"><div> <amp-img src="https://midias.correiobraziliense.com.br/_midias/jpg/2022/06/22/675x450/1_220622kk5-25924019.jpg" width="675" height="450" layout="responsive" alt=" 22/06/2022 Cr&eacute;dito: Carlos Vieira/CB. Forma&ccedil;&atilde;o e Trabalho. Primeira professora indigena da UNB. Na Foto Altaci Rubim, professora adjunta do LIP/IL/UNB."></amp-img> <figcaption> Carlos Vieira/CB - <b> 22/06/2022 Cr&eacute;dito: Carlos Vieira/CB. Forma&ccedil;&atilde;o e Trabalho. Primeira professora indigena da UNB. Na Foto Altaci Rubim, professora adjunta do LIP/IL/UNB.</b></figcaption> </div></p> <p class="texto">"Sabemos que os conflitos territoriais s&atilde;o intensos nos territ&oacute;rios ind&iacute;genas e a conquista do PNGATI &eacute; de suma import&acirc;ncia para a valoriza&ccedil;&atilde;o dos conhecimentos tradicionais", avalia. Altaci tamb&eacute;m cita a amplia&ccedil;&atilde;o da presen&ccedil;a ind&iacute;gena no ensino superior e a inser&ccedil;&atilde;o em espa&ccedil;os de decis&atilde;o, com a cria&ccedil;&atilde;o de secretarias, coordena&ccedil;&otilde;es, conselhos e o Minist&eacute;rio dos Povos Ind&iacute;genas.</p> <p class="texto">"N&oacute;s vamos ocupar mais espa&ccedil;os a partir do programa Kuntari Katu, que visa formar l&iacute;deres ind&iacute;genas na pol&iacute;tica global. 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"A <a href="/brasil/2025/04/7106661-demarcacoes-de-terras-precisam-ser-mais-ageis-diz-procurador.html" target="_blank">demarca&ccedil;&atilde;o de terras</a> segue amea&ccedil;ada por pol&iacute;ticas anti-ind&iacute;genas. O Marco Temporal, que representa um grave retrocesso jur&iacute;dico e moral, e os ataques &agrave;s escolas ind&iacute;genas e &agrave;s casas de rezas, t&ecirc;m se intensificado, mesmo com a nossa luta em busca de promover a paz. Temos sofrido muitas retalia&ccedil;&otilde;es em nossos territ&oacute;rios", destaca Altaci.</p> <p class="texto">O <a href="/brasil/2024/05/6860515-conhecimento-indigena-pode-melhorar-relacao-com-o-meio-ambiente.html" target="_blank">professor Gersem Baniwa</a>, do Departamento de Antropologia da UnB, ressalta que o Dia dos Povos Ind&iacute;genas tem import&acirc;ncia simb&oacute;lica e pr&aacute;tica. Segundo ele, o silenciamento e invisibilidade foram algumas das quest&otilde;es que facilitaram o processo de genoc&iacute;dio contra os povos origin&aacute;rios. "Chegou-se a um tempo que uma parcela importante da popula&ccedil;&atilde;o brasileira sequer sabia que havia ind&iacute;genas no Brasil ou se achavam que se houvesse era algo a regi&otilde;es como a Amaz&ocirc;nia, por falta justamente de informa&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o o Dia dos Povos Ind&iacute;genas &eacute; um momento de dar esse conhecimento a socidade", afirma.</p> <p class="texto"><div> <amp-img src="https://midias.correiobraziliense.com.br/_midias/jpg/2023/10/12/675x450/1_15-30105991.jpg" width="675" height="450" layout="responsive" alt="Gersem Baniwa, segundo indigena professor da UnB "></amp-img> <figcaption> Carlos Vieira/CB - <b>Gersem Baniwa, segundo indigena professor da UnB </b></figcaption> </div></p> <p class="texto">Gersem, segundo docente ind&iacute;gena da UnB, pontua que parte da sociedade ainda &eacute; muito hostil em rela&ccedil;&atilde;o aos povos ind&iacute;genas. "Uma parcela importante, sobretudo a elite pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica, v&ecirc; os ind&iacute;genas como empecilhos ou obst&aacute;culos, como quem atrapalhe o desenvolvimento de seus neg&oacute;cios ou at&eacute; mesmo do pa&iacute;s. Isso &eacute; puro preconceito e racismo. Os povos origin&aacute;rios contribuem muito com suas economias, culturas, tradi&ccedil;&otilde;es", diz Gersem.</p> <ul> <li><strong>Leia tamb&eacute;m:&nbsp;<a href="/euestudante/trabalho-e-formacao/2022/07/5018927-um-professor-entre-dois-mundos-gersem-baniwa-e-2-indigena-a-dar-aulas-na-unb.html" target="_blank">Um professor entre dois mundos: Gersem Baniwa &eacute; 2&ordm; ind&iacute;gena a dar aulas na UnB</a></strong></li> </ul> <p class="texto">O professor tamb&eacute;m avalia que embora haja avan&ccedil;o no protagonismo origin&aacute;rio na pol&iacute;tica, a quest&atilde;o ind&iacute;gena ainda n&atilde;o est&aacute; entre as prioridades do governo. "N&atilde;o tem or&ccedil;amento suficiente, n&atilde;o h&aacute; processos istrativos adequados para atender as realidades das comunidades, pois a burocracia estatal &eacute; muito voltado para as cidades", diz.</p> <p class="texto">Para Gersem, as principais causas do preconceito e do racismo contra os povos ind&iacute;genas s&atilde;o a <a href="/opiniao/2025/01/7030952-enfrentamento-a-desinformacao-como-ato-de-defesa-da-democracia.html" target="_blank">desinforma&ccedil;&atilde;o</a> e os estere&oacute;tipos que foram constru&iacute;dos e naturalizados ao longo da coloniza&ccedil;&atilde;o. "O desconhecimento pode ser preenchido com conhecimento, mas as informa&ccedil;&otilde;es equivocadas s&atilde;o mais dif&iacute;ceis porque tem dois momentos: primeiro tem que desconstruir para depois construir conhecimentos verdadeiros. Na coloniza&ccedil;&atilde;o, quem chegou no Brasil vindo da Europa foi criando preconceitos, por exemplo a ideia de sociedades primitivas para se referir aos povos ind&iacute;genas", cita.&nbsp;</p> <ul> <li><strong>Leia tamb&eacute;m:&nbsp;<a href="/brasil/2025/01/7033979-imagens-ineditas-de-indigenas-isolados-de-rondonia-e-mato-grosso.html" target="_blank">Imagens in&eacute;ditas de ind&iacute;genas isolados s&atilde;o feitas em Rond&ocirc;nia e Mato Grosso</a></strong></li> </ul> <p class="texto">O professor defende a import&acirc;ncia da <a href="https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2008/lei-11645-10-marco-2008-572787-publicacaooriginal-96087-pl.html#:~:text=Altera%20a%20Lei%20n%C2%BA%209.394,Afro%2DBrasileira%20e%20Ind%C3%ADgena%22." target="_blank">Lei 11.645/2008</a>, que tornou obrigat&oacute;rio o ensino de hist&oacute;ria e cultura afro-brasileira e ind&iacute;gena no ensino fundamental e m&eacute;dio, em todas as escolas brasileiras. "Infelizmente isso n&atilde;o &eacute; cumprido. Poucas institui&ccedil;&otilde;es de ensino cumprem essa lei. Se essa legisla&ccedil;&atilde;o fosse cumprida, n&oacute;s j&aacute; estar&iacute;amos muito a frente no combate ao preconveito e racismo contra os povos ind&iacute;genas", argumenta.</p> <h3>L&iacute;nguas ind&iacute;genas</h3> <p class="texto">No Brasil, al&eacute;m do portugu&ecirc;s, existem mais de 200 <a href="/cidades-df/2024/02/6806282-pesquisadores-da-unb-vao-traduzir-o-eca-para-a-lingua-indigena-ticuna.html" target="_blank">l&iacute;nguas ind&iacute;genas</a>. A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) lan&ccedil;ou um plano de dez anos (2022-2032), chamado de D&eacute;cada Internacional das L&iacute;nguas Ind&iacute;genas, para preservar a diversidade sociolingu&iacute;stica.</p> <p class="texto">Cabe destacar que, cada vez que uma l&iacute;ngua ind&iacute;gena &eacute; extinta, tamb&eacute;m se v&atilde;o a cultura, a tradi&ccedil;&atilde;o e os saberes que ela carrega. Segundo a ONU, os povos ind&iacute;genas s&atilde;o 6% da popula&ccedil;&atilde;o global e falam mais de quatro mil das 6,7 mil l&iacute;nguas do mundo. No entanto, estima-se que mais da metade de todas correm o risco de serem extintas at&eacute; o final deste s&eacute;culo.</p> <ul> <li><strong>Leia tamb&eacute;m:&nbsp;<a href="/brasil/2024/02/6806163-linklado-pesquisadores-desenvolvem-teclado-especial-para-linguas-indigenas.html" target="_blank">Linklado: pesquisadores desenvolvem teclado especial para l&iacute;nguas ind&iacute;genas</a></strong></li> </ul> <p class="texto">A professora Altaci destaca que mesmo as l&iacute;nguas ind&iacute;genas consideradas extintas podem ser recuperadas por meio de rituais e contato com os ancentrais. "Para os povos ind&iacute;genas, esse conceito de l&iacute;ngua &eacute; esp&iacute;rito. Enquanto estudiosos do mundo ocidental procuram incessantemente pelas ra&iacute;zes das l&iacute;nguas, entre os povos origin&aacute;rios a origem da l&iacute;ngua n&atilde;o est&aacute; em uma genealogia linear. A l&iacute;ngua &eacute; esp&iacute;rito e n&atilde;o nasce do corpo, mas sim da conex&atilde;o entre mundos. Ela vem do tempo das origens, quando os primeiros esp&iacute;ritos surgiram na Terra. Os esp&iacute;ritos das &aacute;rvores, dos p&aacute;ssaros, das cachoeiras, dos animais, do fogo. Cada ser carrega sua pr&oacute;pria forma de linguagem. Cada manifesta&ccedil;&atilde;o da natureza tem seu canto, seu som, sua vibra&ccedil;&atilde;o. Isso &eacute; linguagem, &eacute; l&iacute;ngua", explica Altaci.</p> <p class="texto">"Ent&atilde;o, como esp&iacute;rito, a l&iacute;ngua pode ser acordada, pode ficar adormecida e n&atilde;o extinta ou mora, pois cada povo que reivindica sua exist&ecirc;ncia e volta a se reconectar com seus ancentrais e com o territ&oacute;rio volta a acordar os esp&iacute;ritos das l&iacute;nguas. As l&iacute;nguas s&atilde;o acordadas por meio de rituais, de sonhos, de cantos e pela pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia e conex&atilde;o com os territ&oacute;rios ind&iacute;genas. Quanto mais conectado uma pessoa est&aacute; com a terra, mais a l&iacute;ngua se revela e se mant&eacute;m viva", acrescenta a professora.</p> <p class="texto">Altaci tamb&eacute;m citou a import&acirc;ncia do <a href="https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2341457#:~:text=PL%202935%2F2022%20Inteiro%20teor,Projeto%20de%20Lei&amp;text=Cria%20e%20regulamenta%20as%20categorias,(a)%20de%20L%C3%ADngua%20Ind%C3%ADgena.&amp;text=Cria%C3%A7%C3%A3o%2C%20regulamenta%C3%A7%C3%A3o%2C%20Categoria%20profissional%2C,Tradutor%2C%20L%C3%ADngua%20Ind%C3%ADgena%2C%20diretrizes." target="_blank">Projeto de Lei&nbsp;2935/2022</a>, de autoria da ex-deputada e atual presidenta da Funai, Joenia Wapichana, que busca atender a necessidade de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que respeitem e reconhe&ccedil;am a diversidade lingu&iacute;stica no Brasil.</p> <ul> <li><strong>Leia tamb&eacute;m:&nbsp;<a href="/brasil/2024/08/6930307-povo-indigena-resgata-nomes-de-abelhas-em-risco-e-eterniza-saberes-tradicionais.html" target="_blank">Povo ind&iacute;gena resgata nomes de abelhas em risco e eterniza saberes tradicionais</a></strong></li> </ul> <h3>Conhecimento ancentral</h3> <p class="texto">Gersem Baniwa cita que dos mais de 1.300 povos ind&iacute;genas que existiam antes da coloniza&ccedil;&atilde;o, atualmente existem cerca de 300. As l&iacute;nguas ind&iacute;genas tamb&eacute;m sofreram uma redu&ccedil;&atilde;o dr&aacute;stica da chegada dos europeus ao Brasil ao 1.500 at&eacute; aqui. "Cada povo que foi sendo extinto levou junto muitos conhecimentos, saberes, culturas e filosofias de vida pr&oacute;prias", conta. O professor da UnB tamb&eacute;m frisa que as formas de vida ind&iacute;genas s&atilde;o altamente sustent&aacute;veis, pois eles "est&atilde;o no continente h&aacute; milhares de anos sem que colocassem em xeque a biodiversidade do planeta".</p> <p class="texto">"Os saberes ind&iacute;genas est&atilde;o sendo cada vez mais reafirmados e, inclusive, visibilizados e publicados. Uma coisa muito bonita que vem acontecendo nos &uacute;ltimos anos no mundo da ci&ecirc;ncia acad&ecirc;mica ocidental &eacute; dar lugar aos saberes ind&iacute;genas. As sabedorias ancentrais n&atilde;o s&atilde;o algo do ado, claro que foi sendo construinda ao longo do tempo, mas &eacute; de hoje e do amanh&atilde; tamb&eacute;m. Os saberes dos povos ind&iacute;genas &eacute; uma das garantias do futuro", cita Gersem Baniwa.</p> <p class="texto"><strong><a href="https://whatsapp.com/channel/0029VaB1U9a002T64ex1Sy2w">Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais not&iacute;cias do dia no seu celular</a></strong></p> <p class="texto"><div class="read-more"> <h4>Saiba Mais</h4> <ul> <li> <a href="/brasil/2025/04/7112755-cachorra-e-adotada-apos-abandono-em-sc-e-tutora-e-investigada.html"> <amp-img src="https://midias.correiobraziliense.com.br/_midias/jpg/2025/04/16/cachorra-49824906.jpg?20250416135918" alt="" width="150" height="100"></amp-img> <div class="words"> <strong>Brasil</strong> <span>Cachorra é adotada após abandono em via pública e tutora é investigada </span> </div> </a> </li> <li> <a href="/brasil/2025/04/7112242-elefanta-que-viveu-por-mais-de-30-anos-na-argentina-e-transportada-para-o-brasil.html"> <amp-img src="https://midias.correiobraziliense.com.br/_midias/jpg/2025/04/16/675x450/1_elefanta-49808525.jpg?20250416114917" alt="" width="150" height="100"></amp-img> <div class="words"> <strong>Brasil</strong> <span>Elefanta que viveu por mais de 30 anos na Argentina é transportada para o Brasil</span> </div> </a> </li> <li> <a href="/brasil/2025/04/7112075-comissao-identifica-dois-corpos-de-desaparecidos-na-ditadura.html"> <amp-img src="https://midias.correiobraziliense.com.br/_midias/jpg/2025/04/16/675x450/1_desaparecidos-49784674.jpg?20250416081349" alt="" width="150" height="100"></amp-img> <div class="words"> <strong>Brasil</strong> <span>Comissão identifica dois corpos de desaparecidos políticos na ditadura militar </span> </div> </a> </li> <li> <a href="/mundo/2025/04/7112016-as-incriveis-chuvas-de-meteoros-que-poderao-ser-observadas-do-brasil.html"> <amp-img src="https://midias.em.com.br/_midias/jpg/2025/04/16/30482b00_1a05_11f0_9b8f_85dd6fa70f95-49778144.jpg?20250416040001" alt="" width="150" height="100"></amp-img> <div class="words"> <strong>Brasil</strong> <span>As incríveis chuvas de meteoros que poderão ser observadas do Brasil</span> </div> </a> </li> <li> <a href="/brasil/2025/04/7111899-e-importante-discutir-a-regulacao-das-redes-diz-marivaldo-pereira.html"> <amp-img src="https://midias.correiobraziliense.com.br/_midias/jpg/2025/04/15/03-49758531.jpg?20250416065059" alt="" width="150" height="100"></amp-img> <div class="words"> <strong>Brasil</strong> <span> "É importante discutir a regulação das redes", diz Marivaldo Pereira</span> </div> </a> </li> <li> <a href="/brasil/2025/04/7111879-mpf-apura-resolucao-do-cfm-que-restringe-o-de-jovens-trans-a-tratamentos-hormonais.html"> <amp-img src="https://midias.correiobraziliense.com.br/_midias/jpg/2024/01/28/mj2801_07-34582671.jpg?20250415202042" alt="" width="150" height="100"></amp-img> <div class="words"> <strong>Brasil</strong> <span>MPF apura resolução do CFM que restringe o de jovens trans a tratamentos hormonais</span> </div> </a> </li> </ul> </div></p>", "isAccessibleForFree": true, "image": { "url": "https://midias.correiobraziliense.com.br/_midias/jpg/2025/04/17/675x450/1_indignas-49874987.jpg?20250417075841?20250417075841", "width": 820, "@type": "ImageObject", "height": 490 }, "author": [ { "@type": "Person", "name": "Aline Gouveia" } ], "publisher": { "logo": { "url": "https://image.staticox.com/?url=http%3A%2F%2Fimgs2.correiobraziliense.com.br%2Famp%2Flogo_cb_json.png", "@type": "ImageObject" }, "name": "Correio Braziliense", "@type": "Organization" } } 8yw

Eu, Estudante 361s45

POVOS ORIGINÁRIOS

Professores da UnB destacam importância do Dia dos Povos Indígenas 68583r

Altaci Corrêa Rubim e Gersem Baniwa, os primeiros professores indígenas da Universidade de Brasília, também refletiram sobre os avanços dos povos originários 3j3f68

O Dia dos Povos Indígenas, celebrado neste sábado (19/4), destaca a diversidade das comunidades originárias. Altaci Corrêa Rubim, primeira professora indígena da Universidade de Brasília (UnB), afirma que a data é mais do que uma celebração, pois trata-se também de um momento de afirmação de identidades e de visibilidade das lutas por demarcação de terras, fortalecimento das línguas, dos saberes, da educação escolar indígena, da saúde e da autonomia dos povos.

"A mudança de Dia do Índio para Dia dos Povos Indígenas por si só é uma avanço simbólico e político importante, pois reflete a pluralidade dos povos, além de romper com uma visão estereotipada e colonizadora. Essa data também é um momento de chamar a sociedade para repensar a relação com os povos indígenas, reconhecendo o protagonismo deles na defesa da biodiversidade e da democracia", frisa Altaci, professora do departamento de Letras da UnB e coordenadora de promoção de políticas linguísticas do Ministério dos Povos Indígenas.

Tataiya Kokama — nome indígena de Altaci — frisa que os povos indígenas vem conquistando espaços a cada ano por meio de muita luta. Um dos avanços citados pela professora é a aprovação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI).

Carlos Vieira/CB - 22/06/2022 Crédito: Carlos Vieira/CB. Formação e Trabalho. Primeira professora indigena da UNB. Na Foto Altaci Rubim, professora adjunta do LIP/IL/UNB.

"Sabemos que os conflitos territoriais são intensos nos territórios indígenas e a conquista do PNGATI é de suma importância para a valorização dos conhecimentos tradicionais", avalia. Altaci também cita a ampliação da presença indígena no ensino superior e a inserção em espaços de decisão, com a criação de secretarias, coordenações, conselhos e o Ministério dos Povos Indígenas.

"Nós vamos ocupar mais espaços a partir do programa Kuntari Katu, que visa formar líderes indígenas na política global. O Ministério dos Povos Indígenas conseguiu, juntamente com o Ministério das Relações Exteriores e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), bolsas para formar diplomatas indígenas. É a primeira vez na história que isso está acontecendo", lembra Altaci.

Apesar dos avanços significativos, os indígenas ainda enfrentram muitos desafios. "A demarcação de terras segue ameaçada por políticas anti-indígenas. O Marco Temporal, que representa um grave retrocesso jurídico e moral, e os ataques às escolas indígenas e às casas de rezas, têm se intensificado, mesmo com a nossa luta em busca de promover a paz. Temos sofrido muitas retaliações em nossos territórios", destaca Altaci.

O professor Gersem Baniwa, do Departamento de Antropologia da UnB, ressalta que o Dia dos Povos Indígenas tem importância simbólica e prática. Segundo ele, o silenciamento e invisibilidade foram algumas das questões que facilitaram o processo de genocídio contra os povos originários. "Chegou-se a um tempo que uma parcela importante da população brasileira sequer sabia que havia indígenas no Brasil ou se achavam que se houvesse era algo a regiões como a Amazônia, por falta justamente de informação. Então o Dia dos Povos Indígenas é um momento de dar esse conhecimento a socidade", afirma.

Carlos Vieira/CB - Gersem Baniwa, segundo indigena professor da UnB

Gersem, segundo docente indígena da UnB, pontua que parte da sociedade ainda é muito hostil em relação aos povos indígenas. "Uma parcela importante, sobretudo a elite política e econômica, vê os indígenas como empecilhos ou obstáculos, como quem atrapalhe o desenvolvimento de seus negócios ou até mesmo do país. Isso é puro preconceito e racismo. Os povos originários contribuem muito com suas economias, culturas, tradições", diz Gersem.

O professor também avalia que embora haja avanço no protagonismo originário na política, a questão indígena ainda não está entre as prioridades do governo. "Não tem orçamento suficiente, não há processos istrativos adequados para atender as realidades das comunidades, pois a burocracia estatal é muito voltado para as cidades", diz.

Para Gersem, as principais causas do preconceito e do racismo contra os povos indígenas são a desinformação e os estereótipos que foram construídos e naturalizados ao longo da colonização. "O desconhecimento pode ser preenchido com conhecimento, mas as informações equivocadas são mais difíceis porque tem dois momentos: primeiro tem que desconstruir para depois construir conhecimentos verdadeiros. Na colonização, quem chegou no Brasil vindo da Europa foi criando preconceitos, por exemplo a ideia de sociedades primitivas para se referir aos povos indígenas", cita. 

O professor defende a importância da Lei 11.645/2008, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena no ensino fundamental e médio, em todas as escolas brasileiras. "Infelizmente isso não é cumprido. Poucas instituições de ensino cumprem essa lei. Se essa legislação fosse cumprida, nós já estaríamos muito a frente no combate ao preconveito e racismo contra os povos indígenas", argumenta.

Línguas indígenas 3g6c1m

No Brasil, além do português, existem mais de 200 línguas indígenas. A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou um plano de dez anos (2022-2032), chamado de Década Internacional das Línguas Indígenas, para preservar a diversidade sociolinguística.

Cabe destacar que, cada vez que uma língua indígena é extinta, também se vão a cultura, a tradição e os saberes que ela carrega. Segundo a ONU, os povos indígenas são 6% da população global e falam mais de quatro mil das 6,7 mil línguas do mundo. No entanto, estima-se que mais da metade de todas correm o risco de serem extintas até o final deste século.

A professora Altaci destaca que mesmo as línguas indígenas consideradas extintas podem ser recuperadas por meio de rituais e contato com os ancentrais. "Para os povos indígenas, esse conceito de língua é espírito. Enquanto estudiosos do mundo ocidental procuram incessantemente pelas raízes das línguas, entre os povos originários a origem da língua não está em uma genealogia linear. A língua é espírito e não nasce do corpo, mas sim da conexão entre mundos. Ela vem do tempo das origens, quando os primeiros espíritos surgiram na Terra. Os espíritos das árvores, dos pássaros, das cachoeiras, dos animais, do fogo. Cada ser carrega sua própria forma de linguagem. Cada manifestação da natureza tem seu canto, seu som, sua vibração. Isso é linguagem, é língua", explica Altaci.

"Então, como espírito, a língua pode ser acordada, pode ficar adormecida e não extinta ou mora, pois cada povo que reivindica sua existência e volta a se reconectar com seus ancentrais e com o território volta a acordar os espíritos das línguas. As línguas são acordadas por meio de rituais, de sonhos, de cantos e pela própria existência e conexão com os territórios indígenas. Quanto mais conectado uma pessoa está com a terra, mais a língua se revela e se mantém viva", acrescenta a professora.

Altaci também citou a importância do Projeto de Lei 2935/2022, de autoria da ex-deputada e atual presidenta da Funai, Joenia Wapichana, que busca atender a necessidade de políticas públicas que respeitem e reconheçam a diversidade linguística no Brasil.

Conhecimento ancentral 355r36

Gersem Baniwa cita que dos mais de 1.300 povos indígenas que existiam antes da colonização, atualmente existem cerca de 300. As línguas indígenas também sofreram uma redução drástica da chegada dos europeus ao Brasil ao 1.500 até aqui. "Cada povo que foi sendo extinto levou junto muitos conhecimentos, saberes, culturas e filosofias de vida próprias", conta. O professor da UnB também frisa que as formas de vida indígenas são altamente sustentáveis, pois eles "estão no continente há milhares de anos sem que colocassem em xeque a biodiversidade do planeta".

"Os saberes indígenas estão sendo cada vez mais reafirmados e, inclusive, visibilizados e publicados. Uma coisa muito bonita que vem acontecendo nos últimos anos no mundo da ciência acadêmica ocidental é dar lugar aos saberes indígenas. As sabedorias ancentrais não são algo do ado, claro que foi sendo construinda ao longo do tempo, mas é de hoje e do amanhã também. Os saberes dos povos indígenas é uma das garantias do futuro", cita Gersem Baniwa.

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